Porém, eu encontrei outra coisa. Eu encontrei minha metade; se todos vocês estivessem aqui ainda, provavelmente eu não seria tão completo quanto sou agora. Não sei o que dizer, não acho que nem consiga explicar o que aconteceu com o mundo. Talvez exatamente nesse momento eu esteja morto e não saiba. Mas estou cansado de tentar achar respostas; ao invés, vou simplesmente viver. Vou deixar o que está a minha volta tomar conta e aceitar isso.
Mesmo restando apenas nós dois nesse mundo, eu posso dizer que aqui é meu lugar. Finalmente estou aonde pertenço. Queria agradecer a todos vocês por terem me dado essa oportunidade. Essa é minha última nota, lhes digo adeus. Desejo-lhes a melhor das sortes, onde quer que estejam."
João assinou o final da folha, fechou o caderno e o deixou delicadamente no chão; chão bem em frente ao pequeno ornamento, uma madeira fina e comprida fincada firme na terra, com um pano vermelho amarrado na ponta. Balançava ao vento. Ao longo da madeira erguida, poderia se ler no rastro cuidadosamente talhado com fogo intencional:
"Houve vida aqui."


